Peseguição religiosa é qualquer hostilidade motivada pela identificação de alguém com uma religião. Isso pode incluir sentimentos, atitudes, palavras e ações hostis.

Aperseguição religiosa é um tema muito complexo, que exige muito cuidado ao ser abordado por quem se propõe a fazê-lo. Este é um assunto que normalmente quebra paradigmas, não está preso ao tempo ou a determinado espaço geográfico, não depende de um sistema político, econômico ou religioso e está presente em todos os segmentos, em todas as culturas atuais ou antigas em maior ou menor grau. Desde os primeiros dias de sua existência a Igreja cristã sofre perseguição: isso está em seu DNA, faz parte de sua história de lutas e perseverança em Deus e, acima de tudo, é bíblico. Vejamos alguns exemplos que são fonte de perseguição à Igreja de Cristo, utilizando como parâmetros alguns exemplos da Igreja Primitiva descrita em Atos e da Igreja dos nossos dias.

GOVERNO/ESTADO

O Estado é um dos principais perseguidores da Igreja, tanto no passado como nos dias atuais: os governantes são os personagens mais poderosos de uma nação ou império, pois fazem as leis e controlam os exércitos. A Igreja foi severamente perseguida durante seus primeiros séculos de existência sob o domínio do Império Romano, sofreu sob o jugo comunista da União Soviética durante quase todo o século XX e, mesmo após a queda do comunismo, continua sofrendo em alguns países como China e Coreia do Norte, que ainda são adeptos desse sistema político. A perseguição realizada pelo Estado normalmente está atrelada a algum discurso ideológico com fundamentos religiosos (Irã e Arábia Saudita), polfticos ou econômicos.
 
RELIGIÕES / LIDERANÇAS RELIGIOSAS

Os sacerdotes, clérigos ou líderes religiosos compõem, talvez, o grupo que mais persegue a Igreja em toda a sua história, motivados primeiro por seu zelo religioso, mas também por poder. No Império Romano, a adoração aos ídolos dominava todos os aspectos da vida cotidiana, por isso aqueles que se negassem a participar das festas e sacrifícios oferecidos aos deuses ou aos imperadores eram considerados ateus insociáveis e inimigos públicos. A Igreja cristã dos primeiros séculos sofreu muito por se negar a participar das celebrações pagãs. Atualmente a Igreja enfrenta o desafio de ser sal e luz em países de maioria muçulmana (Afeganistão, Somália, Iraque etc.), hindu (Índia) ou budista (Sri Lanka). No Sri Lanka, a perseguição aos cristãos é praticada muitas vezes por adeptos do budismo instigados por seus líderes religiosos, que se irritam porque os cristãos se negam a contribuir com donativos para os templos budistas.
Em países do mundo muçulmano, o cristianismo é associado às potências ocidentais, sendo, portanto, facilmente rejeitado e perseguido por grupos ou indivíduos radicais. Em muitos países, como Rússia e Grécia, a Igreja é perseguida pela própria Igreja: Iíderes religiosos de igrejas tradicionais (ortodoxas), insatisfeitos com as práticas e discursos não ortodoxos, alegam que as igrejas evangélicas são seitas, perseguindo seus membros e lideranças.

FAMÍLIA

Pode parecer contraditório, mas a família — núcleo de aceitação e amor — é onde, inicialmente, os novos convertidos a Cristo encontram algum tipo de perseguição e discriminação, algo muito comum em famílias muçulmanas. Para os muçulmanos, quebrar o vínculo com a religião islâmica é o mesmo que negar seu lugar de origem, seu sobrenome e os ensinamentos passados há gerações. Mas acontece em países não muçulmanos também. É o caso de uma cristã chinesa, Tang, que, ao contar ao marido que se tornara cristã, recebeu um soco no rosto e apanhou dele com uma vara de bambu. Depois, ele desfilou pelo vilarejo com ela em um carrinho de mão, gritando: “Como você se atreve a banir os deuses da família sem pedir a minha permissão? Eu decido a quem adoramos e não você”.
A rejeição familiar por causa de Cristo foi anunciada pelo próprio Jesus em Mateus 10.35-36.
 
VIZINHOS / CULTURA

Em muitos países da África e da Ásia, em tribos e vilarejos, a cultura é formada por folclores religiosos milenares. Para os habitantes desses lugares, aceitar outra religião é enfurecer os deuses e trazer sobre si a ira deles. Por isso, para muitos cristãos que vivem em países como Nigéria, Etiópia e China (áreas rurais), é um grande desafio seguir a Cristo, pois certamente enfrentam ira, zombaria e discriminação de seus vizi nho e amigos.

INTERESSES ECONÔMICOS / INDIVÍDUOS CORRUPTOS

A perseguição pode acontecer também motivada por interesses econômicos e por indivíduos corruptos. É muito comum que aqueles que vivem do comércio religioso se sintam lesados pelo avanço do cristianismo. No capftulo 19 do livro de Atos há um relato da perseguição sofrida pelo apóstolo Paulo por razões comerciais: quando os vendedores de imagens, arquitetos e construtores dos templos pagãos viram que a conversão de pessoas ao cristianismo lhes causava danos financeiros, resolveram reprimir os cristãos. 

No Nepal e em países do mundo muçulmano, pastores e missionários são sequestrados por grupos revolucionários comunistas e radicais islâmicos ávidos por dinheiro, que pedem altas quantias em troca da libertação desses irmãos. Em Chiapas, no México, por muito tempo os cristãos foram perseguidos pelos caciques (comerciantes), que organizam festas religiosas tradicionais regadas a bebidas e sacrifícios de animais, lucrando muito. A conversão das pessoas ao cristianismo as levava a deixar de participar das festas, causando grande prejuízo ao comércio dos caciques.


Fonte: Revista Portas Abertas