Autor: Pr. Francis Frangpine
Eu descobri que quando buscamos o Senhor, nosso momentos mais difíceis podem ser transformados em descobertas maravilhosas no amor de Deus. Para mim, um tempo como esse ocorreu durante os anos de 1979 a 1981.
A associação de igrejas com as quais eu estava alinhado tinha caído em degeneração espiritual. Não foram só as doutrinas centrais que estavam sendo cada vez mais infestadas com influências da Nova Era, mas também a imoralidade entrou silenciosamente nessas igrejas, e os principais líderes começaram a deixar as suas esposas por outras mulheres.
Eu não podia mais permanecer em silêncio. Deixei minha congregação em Detroit, onde eu tinha servido como pastor, e viajei para a sede regional da organização, em Iowa. Eu fui até lá pregar arrependimento. No entanto, após reunião uma com os dirigentes, fui convidado a deixar o grupo.
Você pode imaginar a situação que isso deixou a minha família e eu. Tínhamos deixado a nossa igreja, não tínhamos dinheiro, e tinhamos quatro filhos pequenos. Não podíamos sequer comprar uma moradia básica. Desesperados para encontrar qualquer tipo de abrigo, nós finalmente encontramos uma velha fazenda na zona rural de Washington, Iowa. A casa tinha mais de 100 anos, mas realmente parecia muito mais velha. Depois de negociar com o proprietário, nos foi dado um ano de aluguel gratuito, desde que eu fizesse o trabalho de conservação da casa, como limpeza e pintura.
Mesmo assim, a casa precisava de mais do que eu poderia fazer. O forno não funcionava bem, por isso, instalamos um fogão a lenha na cozinha. Esse primeiro inverno, acabou sendo um dos mais frios da história de Iowa. Gelo se formava nas paredes internas, se espalhando torno de cada janela, e ventos baixavam a termperatura para menos de 33 graus negativos em várias ocasiões.
Para nos mantermos aquecidos de noite, toda a família dormia firmemente abraçada em um grande colchão no chão da sala de jantar, cerca de 6 metros do fogão na cozinha. Um ventilador atrás do fogão soprava o ar quente na nossa direção. Meu trabalho noturno, é claro, era manter o fogão gerando calor suficiente para nos manter aquecidos até de manhã.
Enquanto eu acendia o fogo, eu também orava e suplicava a Deus. O fogão a lenha se tornou uma espécie de altar, para mim, onde cada noite, enquanto eu orava, oferecia a Deus os meus sonhos não realizados e a dor do meu isolamento espiritual.
Como as estações iam e vinham, a pequena área ao redor do fogão a lenha continuou a ser um lugar sagrado para mim. Mesmo no verão, eu sentava na cadeira ao lado do fogão para orar e adorar.
Eu gostaria de dizer que encontrei a alegria do Senhor durante este tempo, mas na verdade, embora eu tivesse gradualmente me ajustado a essa situação, eu sentia uma permanente miséria em minha alma. Nossa profunda pobreza era um problema (eu ganhava apenas US $ 6.000 por ano), mas mais do que isso, senti como se eu tivesse perdido o Senhor. Minha oração constante era: "Senhor, o que você quer de mim?"
Três anos buscando a Deus se passaram, e eu ainda carregava um vazio por dentro. Qual era a vontade de Deus para mim? Eu tinha iniciado dois grupos de estudos bíblicos e falado algumas vezes em igrejas, mas estava tão preocupado em ser um pastor, que até me ver envolvido novamente em um ministério de tempo integral, eu temia que tivesse perdido o contato com o chamado de Deus em minha vida.
Apesar deste vazio interior sobre o ministério, eu estava crescendo espiritualmente, especialmente em áreas que anteriormente eram descuidadas. Eu tinha inconscientemente definido um ministério bem sucedido como algo nascido do meu desempenho. Durante este tempo, porém, o Senhor me reduziu a ser simplesmente um discípulo de Jesus Cristo.
O meu foco principal era o de ser um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo, para obedecer aos Seus ensinamentos e ver a vida não como um crítico, mas como um incentivador. Eu também me vi cada vez mais livre para desfrutar e aprender com os cristãos de outras denominações e com outras perspectivas.
Essas mudanças, embora profundas e duradouras, transcorreram de forma lenta, quase imperceptível. Elas estavam acontecendo tranquilamente em meu coração, e só em retrospecto é que eu vi o que o Senhor tinha feito. Durante todo esse tempo, eu estava preocupado com os sentimentos de distanciamento da vontade de Deus. Minha oração diária era voltada para conhecer o plano do Senhor para mim.
Um dia, quando eu estava na despensa da cozinha, repeti novamente a minha oração permanente: "Senhor, o que você quer de mim" Em um súbito lampejo de iluminação, o Senhor respondeu. Falando diretamente ao meu coração, Ele disse, "Ama-me, como você está."
Nesta época, eu era um técnico de televisão fazendo biscates para sustentar minha família. Eu odiava o que eu estava fazendo.
Na minha igreja anterior, eu havia pregado contra a TV, e agora eu estava "impondo as mãos" em aparelhos de TV e fazendo-os funcionar! A resposta do Senhor impactou imediatamente o meu coração. Fiquei impressionado com sua simplicidade!
Eu perguntei: "te amar onde estou? Senhor, isso é tudo o que quer de mim? "Ele respondeu:" Isso é tudo que eu quero de você. "
Nesse momento uma paz divina inundou minha alma e eu fui liberado da falsa expectativa de um ministério. Deus não estava olhando para o que eu fizera para ele, mas para quem eu me tornei para Ele em amor. A questão em seu coração não era se eu pastoreava mas se eu o amava. Amar o Senhor em qualquer situação que eu me enconstrasse - mesmo como um técnico de televisão, isso eu poderia fazer!
Uma transformação profunda e marcante ocorreu em mim. Minha identidade não estava mais em ser um pastor, mas em me tornar um verdadeiro adorador de Deus. Surpreendentemente, poucos dias depois de ter resolvido as minhas prioridades, eu fui convidado para ser pastor de uma igreja em Marion, Iowa.
Apesar de toda a minha ansiedade anterior sobre o retorno ao ministério, eu não agarrei de imediato a oportunidade porque eu tinha aprendido que o Senhor desejava verdadeiramente de mim. Apesar de eu finalmente ter aceitado este convite, meu foco não era mais apenas na liderança de uma igreja, mas em amar a Deus.
Deus pede o nosso amor antes do nosso ministério. Seu maior mandamento é que nós o amemos com toda nossa mente, coração, alma e força. Se fizermos isso, vamos cumprir tudo o que Ele requer de nós (João 14:15). É na medida em que nós o amamos que Ele faz todas as coisas cooperarem para o nosso bem (cf. Rom. 8:28).
Amado, amar a Deus não é difícil. Nós podemos realizar qualquer atividade: ser um mecânico ou uma dona de casa, um médico ou um estudante de faculdade e ainda alegrarmos o nosso Pai celestial. Nós não precisamos de títulos de ministério para amar o Senhor. De fato, Deus mede o valor de nossas vidas pela profundidade do nosso amor. Isto é o que Ele exige de todos os que verdadeiramente o buscam: a amá-Lo conforme estamos.
Francis Frangipane se aposentou em junho como pastor sênior do River of Life Ministries, em Cedar Rapids, Iowa, depois de mais de 25 anos. Visite-o em frangipane.org. Ele é autor de vários livros, incluindo E serei achado por você (Arrow Publicações), do qual este artigo foi adaptado.